Por que escrevemos assim

Porque não acreditamos na Santíssima Trindade. Porque renegamos o Pai. O Filho. E o Espírito Santo. Porque somos criaturas da terra. E no plano rastejamos. Porque nos recusamos a fazer a prova da identidade. É igual? É semelhante? É parecido? Reconhecemos? Apostamos tudo no teste da diferença. Aumenta o mundo? É estranho? Causa espanto? É irreconhecível? Isso faz a nossa cabeça. Porque não temos negócio … Continuar lendo Por que escrevemos assim

Sobre Performances e Papagaios

Relato e elucubrações de uma performance sobre teoria e prática da performance Era uma segunda-feira, dia 8 de agosto, o dia seguinte ao encerramento da MIP3 (3ª Manifestação Internacional da Performance[i]), quando me encontrei com o curador e performer Fernando Ribeiro e o artista britânico Alastair MacLennan, numa esquina de Belo Horizonte, mais precisamente, no encontro das ruas Rio de Janeiro e Guajajaras. Havia dado … Continuar lendo Sobre Performances e Papagaios

Jhumpa Lahiri – “A troca”

As palavras raramente ocorrem sozinhas; quase sempre, elas ocorrem na companhia de outras palavras. Por outro lado, as palavras não se juntam aleatoriamente em nenhuma linguagem: o modo como se combinam para transmitir significados tem sempre restrições. As restrições que não admitem exceções, particularmente aquelas que se aplicam a classes de palavras e não a palavras individuais, costumam ser registradas como regras. Outras restrições têm … Continuar lendo Jhumpa Lahiri – “A troca”

A vida nua de Glenda

Glen ou Glenda?, dirigido por Edward Wood (1924–1978) – diretor de produções de terror, ficção científica e erotismo de baixo orçamento –, é um filme estadunidense de 1953 que suscita diversas questões à discussão contemporânea sobre as experiências trans Male to Female (MtF). Por trans, aqui, definimos qualquer expressão de gênero que não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado no nascimento. Necessário salientar … Continuar lendo A vida nua de Glenda

Minhas performances secretas

ou, O texto enquanto performance Farei a seguir algo que julgo detestável na arte contemporânea: propor uma obra, no caso uma performance, e explicá-la teoricamente a fim de sustentar seu direito de existência. Mais do que isso, as performances apenas tomarão existência – no sentido de adentrarem no mundo coletivo e, portanto, saírem da minha consciência como seu domínio exclusivo – a partir do momento … Continuar lendo Minhas performances secretas

O teatro e a peste – Anaïs Nin

Em março de 1933, Antonin Artaud deu uma conferência no auditório da Sorbonne, dentro de um ciclo a cargo do psicanalista René Allendy. O tema da conferência era “O teatro e a peste”. O que se segue é um relato feito por Anaïs Nin.    Auditório da Sorbonne, fim de tarde de quinta-feira em Paris. Allendy e Artaud estavam sentados à mesa no palco. Allendy … Continuar lendo O teatro e a peste – Anaïs Nin

O tempo hiperlogarítmico das redes sociais

A velocidade do tempo é variável: minutos que parecem horas, horas que parecem minutos. Um dos primeiros a propor uma teoria sobre essa percepção subjetiva do tempo foi o filósofo francês Paul Janet, no final do século XVIII. Segundo Janet, nossa percepção do tempo se dá através de uma função logarítmica. Em termos práticos, isso quer dizer que, no começo da nossa vida, percebemos os … Continuar lendo O tempo hiperlogarítmico das redes sociais