68, noves fora zero?

  Este texto é um pequeno inventário de espantos com os desdobramentos pelos quais passaram algumas ideias que, se não … Mais

Já ouviu falar em Sci-phi?

Ficção científica sempre foi algo meio marginal, meio fora do sistema. Basta observar a lista de todos os ganhadores de Melhor Filme da história do Oscar, por exemplo: nenhum deles pertence ao gênero (vá lá, “Volta ao mundo em 80 dias”, se forçarmos um pouco, é o único representante). Por essas e outras, é comum ver o “sci-fi” (abreviação popular de “Science Fiction”, ou ficção científica em inglês) envolvido numa névoa meio “B”, meio de subproduto. É bem verdade que a era do blockbuster e dos efeitos especiais elevou o gênero a encantador de multidões, mas isso não serviu muito para aumentar seu prestígio. Pelo contrário: nos círculos críticos (e em alguns nem tanto) ficção científica virou sinônimo de muito barulho por nada, pirotecnia sem conteúdo

Sonhando perigosamente com Slavoj Žižek – Entrevista

Slavoj Žižek (1949) é um filósofo esloveno cujas influências principais são o pensamento de Karl Marx, Jacques Lacan e Hegel. Atua principalmente nos campos da teoria política, análise cultural e cinematográfica e teoria psicanalítica. Em 1990, foi candidato à presidência da Eslovênia. É professor da Universidade de Liubliana e professor convidado da Universidade de Vermont (EUA). O que dizer sobre dois dias de conversa com o incrível filósofo esloveno Slavoj Žižek? Tomei contato com ele ainda na época da minha graduação em psicologia. Foi amor à primeira lida! Algum tempo depois de ter lido alguns de seus textos publicados ainda em inglês, fui parar na Eslovênia atrás do que podia achar sobre ele — livros, referências, palavras — sem imaginar que, alguns anos adiante, ele me concederia uma entrevista. Por ocasião do lançamento de O ano em que sonhamos perigosamente (Boitempo Editorial, 2012) e da tradução de Menos que nada (no prelo, Boitempo), tivemos a chance e o prazer de conversar com aquele que, ainda hoje, é uma de minhas referencias bibliográficas.

O legado de um pensador autônomo

Em um texto de 1997, o filósofo Cornelius Castoriadis afirma que um filósofo autônomo define suas próprias leis, faz perguntas e não se sujeita a nenhuma autoridade – “nem mesmo a autoridade de seu próprio pensamento anterior” – ao respondê-las. Como, na maioria das vezes, os filósofos elaboram sistemas de pensamento fechados e dificilmente conseguem reavaliá-los, nem sempre é fácil abrir mão da própria autoridade. Que filósofo teria, então, atingido este nível de autonomia? Castoriadis cita Platão como exemplo, talvez não querendo se comprometer com, ou contra, pensadores modernos. A leitura do mais recente livro de István Mészáros, entretanto, pode sugerir outra resposta, e uma resposta bastante polêmica: Jean-Paul Sartre.

O que faz o DJ?

Na esteira da evolução tecnológica relacionada à música, a prática e profissão do DJ popularizou-se e se expande alcançando as mais diversas classes da sociedade. Contudo, apesar do fazer do DJ estar relacionado à música, ele não é necessariamente um músico ou mesmo não o é exigido o conhecimento como de um músico para desempenhar o seu fazer. Portanto, a questão “o que faz o DJ?”… O presente artigo se propõe, por meio da filosofia hermenêutica de Paul Ricoeur, a uma investigação que possibilite caracterizar o fazer do DJ como uma narração, assim como ele próprio assumindo o papel de um narrador.

O caleidoscópio da existência de Márcia Tiburi

Já é costume darmos início a entrevistas situando o leitor sobre quem é o entrevistado. Marcia Tiburi, no entanto, é uma pessoa difícil de definir. Filósofa pronta para uma guerra (do jeito que Foucault apreciava), escritora dedicada que nos presenteou com Magnólia, A mulher de costas e O manto, uma trilogia literária chamada ‘Trilogia Íntima’, mantém um firme programa de pesquisas tendo como fio o que ela mesmo nos diz: o corpo, “como concreto avesso da metafísica constantemente produzido por um sistema econômico-político”.