A vida nua de Glenda

Glen ou Glenda?, dirigido por Edward Wood (1924–1978) – diretor de produções de terror, ficção científica e erotismo de baixo orçamento –, é um filme estadunidense de 1953 que suscita diversas questões à discussão contemporânea sobre as experiências trans Male to Female (MtF). Por trans, aqui, definimos qualquer expressão de gênero que não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado no nascimento. Necessário salientar … Continuar lendo A vida nua de Glenda

Um autômato chamado amor

Já se gastou muita tinta e neurônio no debate que opõe “real e virtual”. Essa lenga-lenga, que deve ter começado com Platão, atravessou os séculos dos séculos e, em tempos de Internet, mais do que nunca, está na moda, Pierre Lévy sabe bem. Não que discutir o assunto seja um problema: vira e mexe essa conversa produz obras bastante interessantes e até resulta num empurrão … Continuar lendo Um autômato chamado amor

A medusa de celuloide

A aproximação entre desejo e morte não é algo novo. Desde que Eva mordeu a tal maçã, sabemos que provar do fruto proibido tem consequências: culpa, inveja, ciúme, morte. Em maior ou menor grau, desejar é um mecanismo que a maioria esmagadora das culturas aprendeu a ver como nocivo. Enquanto as grandes religiões monoteístas o colocam na esfera do pecado, o budismo tenta abstraí-lo, já que desejar é também um dos vínculos que nos prende ao samsara, a eterna roda das reencarnações e do karma. É uma daquelas coisas que já vem instalada no sistema operacional do ser civilizado: desejar é errado. Mata. Lembre-se que o tabu civilizatório diz respeito ao incesto, ou seja, desejar um familiar. Continuar lendo A medusa de celuloide

CentoeQuatro e Frances Ha

Depois de assistir “Frances Ha”, em Belo Horizonte, no cine CentoeQuatro, muita coisas me passaram pela cabeça, desde: “Nossa que local bacana e marginal!” a “o que fazer com isso?”, referindo-me ao filme e do lugar que, quando comparado ao Cine Belas Artes e aos cinemas dos shoppings da cidade, é inusitado e pouco frequentado. Continuar lendo CentoeQuatro e Frances Ha

Já ouviu falar em Sci-phi?

Ficção científica sempre foi algo meio marginal, meio fora do sistema. Basta observar a lista de todos os ganhadores de Melhor Filme da história do Oscar, por exemplo: nenhum deles pertence ao gênero (vá lá, “Volta ao mundo em 80 dias”, se forçarmos um pouco, é o único representante). Por essas e outras, é comum ver o “sci-fi” (abreviação popular de “Science Fiction”, ou ficção científica em inglês) envolvido numa névoa meio “B”, meio de subproduto. É bem verdade que a era do blockbuster e dos efeitos especiais elevou o gênero a encantador de multidões, mas isso não serviu muito para aumentar seu prestígio. Pelo contrário: nos círculos críticos (e em alguns nem tanto) ficção científica virou sinônimo de muito barulho por nada, pirotecnia sem conteúdo Continuar lendo Já ouviu falar em Sci-phi?

As vantagens de ser invisível

“Todo dia, faça algo que te dê medo.” A frase, perdida no viral “Wear Sunscreen”, que rodou o mundo em 1999, se tornou uma espécie de mantra para minha pessoa. Eu, que até meus 16 anos tentava esconder a timidez psicossomática que me assolava e assombrava, decidi tomar como lema a frase ao encarar qualquer desafio que me trouxesse aquele característico frio na barriga. Continuar lendo As vantagens de ser invisível

Gravidez e Cinema

Por Renata Mendonça Revendo o lindo do documentário de Sandra Werneck, “Meninas” (2005), pensei nas mudanças ocorridas nas relações familiares no Brasil. Pode-se dizer que, até pouco tempo, as questões e discussões se apresentavam em torno dos filhos de pais separados, da mulher no mercado de trabalho e, também, da gravidez na adolescência ou fora de um casamento tradicional. Hoje, o que temos como questão … Continuar lendo Gravidez e Cinema