Susan Sontag: o pensar que se faz em diálogo

“Gosto de entrevistas porque gosto de conversar, gosto do diálogo, e sei que boa parte das minhas ideias é produto da conversação. (…) Eu gosto de conversar com as pessoas – é o que me faz não ser uma reclusa –, e conversar me dá a chance de saber o que penso. Não quero saber sobre o público porque é uma abstração, mas com certeza quero saber o que pensa o indivíduo, … Continuar lendo Susan Sontag: o pensar que se faz em diálogo

Precisamos falar sobre a vagina

A vagina é um tabu. Um mito. Um mistério. É o centro de um grande mal-entendido entre pessoas de todo o espectro da sexualidade humana. É mal compreendida e a própria palavra é usada, às vezes, para definir parte do órgão sexual feminino, e outras, para englobar vulva, pequenos lábios, canal vaginal, clitóris… Neste ponto talvez alguns leitores rejeitem essas palavras. Pois é. Eis um dos pontos que torna o livro “Vagina: a New Biography”, de Naomi Wolf, interessante. Ninguém quer realmente saber todos os detalhes sobre a vagina. Eles incomodam. E na biografia da vagina, esse incômodo é personagem central. Continuar lendo Precisamos falar sobre a vagina

O legado de um pensador autônomo

Em um texto de 1997, o filósofo Cornelius Castoriadis afirma que um filósofo autônomo define suas próprias leis, faz perguntas e não se sujeita a nenhuma autoridade – “nem mesmo a autoridade de seu próprio pensamento anterior” – ao respondê-las. Como, na maioria das vezes, os filósofos elaboram sistemas de pensamento fechados e dificilmente conseguem reavaliá-los, nem sempre é fácil abrir mão da própria autoridade. Que filósofo teria, então, atingido este nível de autonomia? Castoriadis cita Platão como exemplo, talvez não querendo se comprometer com, ou contra, pensadores modernos. A leitura do mais recente livro de István Mészáros, entretanto, pode sugerir outra resposta, e uma resposta bastante polêmica: Jean-Paul Sartre. Continuar lendo O legado de um pensador autônomo

Foto: TCY, novembro de 2008, WikiCommons.

Jornalismo, uma lógica falida

*Alerta: o título deste texto é sensacionalista Estamos acostumados a chamar de Partido da Imprensa Golpista (PIG) o oligopólio da mídia nacional. O termo, além do trocadilho com a palavra pig (porco), em inglês, descreve um aspecto do modus operandi da mídia: ameaçar a democracia ao manipular as informações a fim de desestabilizar a coalizão de forças que governa o País. E, claro, substituí-las por … Continuar lendo Jornalismo, uma lógica falida

Quando o existencialismo descobriu a saudade

“Sartre era Oxalá, e eu, Oxum”. É assim, direta e curta, a revelação que Simone de Beauvoir faz, no terceiro volume de suas memórias, A força das coisas, sobre o momento em que foi acolhida pelo candomblé. Ateus convictos, Simone e Sartre viram-se, em agosto de 1960, no terreiro de Mãe Senhora, em Salvador, numa consulta espiritual. O encontro dos filósofos com a mãe de … Continuar lendo Quando o existencialismo descobriu a saudade