Outra Superfície: fotografias de Ana Claudia Lubitz

Outra Superfície: fotografias de Ana Claudia Lubitz

Uma obra é como uma cebola, afirma Barthes,
“uma construção em camadas (níveis ou sistemas), cujo corpo, no final das contas, não contém coração, núcleo, segredo, princípio irredutível, nada além do infinito dos seus próprios invólucros – que não envolvem senão a unidade de suas próprias superfícies”.
O leitor não apenas “decodifica, ele sobrecodifica; não decifra (…) amontoa linguagens, deixa-se infinita e incansavelmente atravessar por elas:  ela (a obra) é essa travessia”

(Roland Barthes, em S/Z. 1970)

Texto de Aline Assumpção e Charles Steuck, curadores

 

Um curador, ao fazer um recorte de uma obra, ao produzir um texto a respeito dela, se permite o capricho das divagações. No entanto, longe de se pretender portador de uma verdade sobre tal, o curador é também um leitor, espectador, autor e viajante.  Propõe um ‘pensar junto’ sob um determinado viés, mas não lhe cabe explicar, traduzir, complicar, ou – pior ainda – facilitar.

A produção fotográfica da psicóloga Ana Claudia Lubitz – que mantém a fotografia como hobby – é bastante heterogênea e despretensiosa, com uma vasta gama de imagens que vai desde registros de viagens e instantâneos cotidianos até experimentações visuais.

De seu vasto portfolio está aí um recorte, reunindo uma série de fotos que mantêm entre si um vínculo pelos seus aspectos poéticos e visuais.  ‘Outra Superfície’ reúne imagens que não foram feitas em um mesmo momento, nem com uma mesma intenção. São na verdade reencontros incidentais de Ana, como imagens em que a fotógrafa mistura planos e experimenta diversas superfícies, através de diferentes formas de superposição, de transposição e abstração.

Quantas camadas existem entre você e as paisagens capturadas por Ana Claudia?

Com quantas superfícies se relaciona a fotógrafa, e quantas mais você pode incluir?

Reflexo na água, num vidro, o reflexo do reflexo, uma janela, lente, visor LCD, espelho, retina, as impressões de Ana sobre o mundo, impressões adesivadas sobre placas de PVC e as impressões por nós adicionadas, são só algumas das possibilidades.  Convidamos o espectador-autor a pensar a respeito das múltiplas camadas – nem sempre evidentes – que compõem a percepção que temos de algo. Estas fotografias brincam com o nossos olhares de fotógrafo/pensante/espectador, e nos provocam a perceber e buscar as infinitas superfícies que as compõem. 

Aline Assumpção e Charles Steuck
Curadores

 

A exposição “Outra Superfície” fica em cartaz até o dia 10 de junho na Mostra Sesc de Arte Contemporânea, Casa Sesc Blumenau.

Confira as fotos da exposição (cique em qualquer imagem para abrir a galeria):

Outra Superfície

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Outra Superfície

Outra Superfície

Outra Superfície

Outra Superfície

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Sobre o autor

Rogério Bettoni

Rogério Bettoni é tradutor e professor. Formado em filosofia pela UFSJ e pós-graduado em tradução pela UFMG, traduz para diversas editoras brasileiras e é apaixonado pelo ofício. Já foi DJ de electro e de vez em quando se aventura na videoart. É um dos editores gerais do Umbigo das Coisas. Site: http://rogeriobettoni.com

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