A medusa de celuloide

A aproximação entre desejo e morte não é algo novo. Desde que Eva mordeu a tal maçã, sabemos que provar do fruto proibido tem consequências: culpa, inveja, ciúme, morte. Em maior ou menor grau, desejar é um mecanismo que a maioria esmagadora das culturas aprendeu a ver como nocivo. Enquanto as grandes religiões monoteístas o colocam na esfera do pecado, o budismo tenta abstraí-lo, já que desejar é também um dos vínculos que nos prende ao samsara, a eterna roda das reencarnações e do karma. É uma daquelas coisas que já vem instalada no sistema operacional do ser civilizado: desejar é errado. Mata. Lembre-se que o tabu civilizatório diz respeito ao incesto, ou seja, desejar um familiar.