O gabinete do Dr. Calligaris

Não é erro de digitação, é Calligaris mesmo. O Contardo, aquele que escreve pra Folha, sabe? Psicanalista, sempre com um olhar aguçadíssimo sobre a sociedade e suas neuroses. A não ser pela profissão, a série não tem muito a ver com o “O Gabinete do Dr. Caligari” (agora sim, como você está acostumado a ler), clássico expressionista alemão de 1920. Ou não tinha. Acontece que … Continuar lendo O gabinete do Dr. Calligaris

Um autômato chamado amor

Já se gastou muita tinta e neurônio no debate que opõe “real e virtual”. Essa lenga-lenga, que deve ter começado com Platão, atravessou os séculos dos séculos e, em tempos de Internet, mais do que nunca, está na moda, Pierre Lévy sabe bem. Não que discutir o assunto seja um problema: vira e mexe essa conversa produz obras bastante interessantes e até resulta num empurrão … Continuar lendo Um autômato chamado amor

Gravidez e Cinema

Por Renata Mendonça Revendo o lindo do documentário de Sandra Werneck, “Meninas” (2005), pensei nas mudanças ocorridas nas relações familiares no Brasil. Pode-se dizer que, até pouco tempo, as questões e discussões se apresentavam em torno dos filhos de pais separados, da mulher no mercado de trabalho e, também, da gravidez na adolescência ou fora de um casamento tradicional. Hoje, o que temos como questão … Continuar lendo Gravidez e Cinema

Sonhando perigosamente com Slavoj Žižek – Entrevista

Slavoj Žižek (1949) é um filósofo esloveno cujas influências principais são o pensamento de Karl Marx, Jacques Lacan e Hegel. Atua principalmente nos campos da teoria política, análise cultural e cinematográfica e teoria psicanalítica. Em 1990, foi candidato à presidência da Eslovênia. É professor da Universidade de Liubliana e professor convidado da Universidade de Vermont (EUA). O que dizer sobre dois dias de conversa com o incrível filósofo esloveno Slavoj Žižek? Tomei contato com ele ainda na época da minha graduação em psicologia. Foi amor à primeira lida! Algum tempo depois de ter lido alguns de seus textos publicados ainda em inglês, fui parar na Eslovênia atrás do que podia achar sobre ele — livros, referências, palavras — sem imaginar que, alguns anos adiante, ele me concederia uma entrevista. Por ocasião do lançamento de O ano em que sonhamos perigosamente (Boitempo Editorial, 2012) e da tradução de Menos que nada (no prelo, Boitempo), tivemos a chance e o prazer de conversar com aquele que, ainda hoje, é uma de minhas referencias bibliográficas. Continuar lendo Sonhando perigosamente com Slavoj Žižek – Entrevista

O Terreno

Terça-feira da semana passada tomei contato com minha própria bile —um amargo nauseante na boca. O ocorrido se deu enquanto estava no trânsito escutando as notícias matinais no radio. A notícia era a respeito do relatório publicado pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (incrível Núcleo que conheci por ocasião da minha pesquisa de mestrado, quando estudava sobre poder e violência no âmbito psiquiátrico). A pesquisa feita pelo NEV, cujo relatório pode ser lido aqui, apresenta dados colhidos em onze capitais brasileiras a respeito de atitudes, normas culturais e valores em relação à violação de direitos humanos e violência. Continuar lendo O Terreno

Um quadro c(l)ínico

Conferia se a porta estava mesmo trancada, duas a três vezes antes de se deitar para dormir, e antes de dormir, pelo menos mais uma vez. Muitas noites a dúvida quanto ao trancamento da porta atrapalhava o seu sono. Às vezes sonhava com uma imensa porta, ou uma porta pequena demais. Em seus sonhos pouco importava o tamanho da porta, que ora se encolhia, ora se esticava, e que sempre, de alguma maneira, encontrava-se semi-fechada, impedindo a sua passagem. Acordava, fechava os olhos e tentava voltar a dormir. Continuar lendo Um quadro c(l)ínico

O suplício do Papai Noel

Durante minha infância, o Natal sempre foi extremamente ambíguo para mim. Considero que estive localizado em um ponto êxtimo no que se refere às comemorações natalinas. Esse ponto de exclusão interna com relação ao Natal é o que pretendo explicar. Minha avó fazia questão de me levar para ver presépios. Aquelas miniaturas representando a figura de uma criança pobre nascida numa fazenda sem higiene (pois … Continuar lendo O suplício do Papai Noel