A vida nua de Glenda

Glen ou Glenda?, dirigido por Edward Wood (1924–1978) – diretor de produções de terror, ficção científica e erotismo de baixo orçamento –, é um filme estadunidense de 1953 que suscita diversas questões à discussão contemporânea sobre as experiências trans Male to Female (MtF). Por trans, aqui, definimos qualquer expressão de gênero que não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado no nascimento. Necessário salientar … Continuar lendo A vida nua de Glenda

Sobre o Jaguar

É espantoso ter um corpo, todos os dias. Por exemplo, colocar meias. Fazer a barba, meditar. Ou não fazer nada. Se nada faço, também é uma ação que cria algo em torno. Um boneco, por exemplo, tem também os seus gestos, traz uma expressão ainda que não tenha o que se chama de movimento próprio. Em “Jaguar”, dança apresentada no teatro Maria Mattos de Lisboa, … Continuar lendo Sobre o Jaguar

Minhas performances secretas

ou, O texto enquanto performance Farei a seguir algo que julgo detestável na arte contemporânea: propor uma obra, no caso uma performance, e explicá-la teoricamente a fim de sustentar seu direito de existência. Mais do que isso, as performances apenas tomarão existência – no sentido de adentrarem no mundo coletivo e, portanto, saírem da minha consciência como seu domínio exclusivo – a partir do momento … Continuar lendo Minhas performances secretas

Os espelhos quebrados de Bing Wright

Não raramente, as experiências de fotografia com espelhos trazem resultados inesperados e surreais. Muito além do selfie, o reflexo proporciona ilusões e confunde o olhar, colocando a fotografia numa dimensão inusitada, que quase não lhe é própria. Foi o que o fotógrafo norte-americano Bing Wright fez em sua série Broken Mirror/Evening Sky. Ele criou mosaicos coloridos e confusos com espelhos quebrados, mostrando de um jeito … Continuar lendo Os espelhos quebrados de Bing Wright

O gabinete do Dr. Calligaris

Não é erro de digitação, é Calligaris mesmo. O Contardo, aquele que escreve pra Folha, sabe? Psicanalista, sempre com um olhar aguçadíssimo sobre a sociedade e suas neuroses. A não ser pela profissão, a série não tem muito a ver com o “O Gabinete do Dr. Caligari” (agora sim, como você está acostumado a ler), clássico expressionista alemão de 1920. Ou não tinha. Acontece que … Continuar lendo O gabinete do Dr. Calligaris

Um autômato chamado amor

Já se gastou muita tinta e neurônio no debate que opõe “real e virtual”. Essa lenga-lenga, que deve ter começado com Platão, atravessou os séculos dos séculos e, em tempos de Internet, mais do que nunca, está na moda, Pierre Lévy sabe bem. Não que discutir o assunto seja um problema: vira e mexe essa conversa produz obras bastante interessantes e até resulta num empurrão … Continuar lendo Um autômato chamado amor