O Terreno

Terça-feira da semana passada tomei contato com minha própria bile —um amargo nauseante na boca. O ocorrido se deu enquanto estava no trânsito escutando as notícias matinais no radio. A notícia era a respeito do relatório publicado pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (incrível Núcleo que conheci por ocasião da minha pesquisa de mestrado, quando estudava sobre poder e violência no âmbito psiquiátrico). A pesquisa feita pelo NEV, cujo relatório pode ser lido aqui, apresenta dados colhidos em onze capitais brasileiras a respeito de atitudes, normas culturais e valores em relação à violação de direitos humanos e violência. Continuar lendo O Terreno

O suplício do Papai Noel

Durante minha infância, o Natal sempre foi extremamente ambíguo para mim. Considero que estive localizado em um ponto êxtimo no que se refere às comemorações natalinas. Esse ponto de exclusão interna com relação ao Natal é o que pretendo explicar. Minha avó fazia questão de me levar para ver presépios. Aquelas miniaturas representando a figura de uma criança pobre nascida numa fazenda sem higiene (pois … Continuar lendo O suplício do Papai Noel

O caleidoscópio da existência de Márcia Tiburi

Já é costume darmos início a entrevistas situando o leitor sobre quem é o entrevistado. Marcia Tiburi, no entanto, é uma pessoa difícil de definir. Filósofa pronta para uma guerra (do jeito que Foucault apreciava), escritora dedicada que nos presenteou com Magnólia, A mulher de costas e O manto, uma trilogia literária chamada ‘Trilogia Íntima’, mantém um firme programa de pesquisas tendo como fio o que ela mesmo nos diz: o corpo, “como concreto avesso da metafísica constantemente produzido por um sistema econômico-político”. Continuar lendo O caleidoscópio da existência de Márcia Tiburi

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A pulsão é surrealista (e por isso é real)

Dois seriados de televisão parecem fazer bastante sucesso nos dias de hoje: CSI (série sobre investigadores/peritos criminais) e House (que trata do cotidiano do departamento de investigação diagnóstica de um hospital). O que me chama atenção em ambas as séries é o modo como as personagens lidam com a realidade: são afeitos aos fatos. Dr. House e os investigadores de CSI têm o mesmo mote: pessoas mentem, fatos não. Quando fiz a constatação dessa ‘coincidência’ nas séries, me recordei do movimento surrealista. Continuar lendo A pulsão é surrealista (e por isso é real)

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A criança de Freud e os kidults de hoje

“Devemos dizer que esta suposta constituição que exibe os germes de todas as perversões só é demonstrável na criança, mesmo que nela todas as pulsões só possam emergir com intensidade moderada. Vislumbramos assim a fórmula de que os neuróticos preservaram o estado infantil de sua sexualidade ou foram transportados para ele. Desse modo, nosso interesse volta-se para a vida sexual da criança, e procederemos ao … Continuar lendo A criança de Freud e os kidults de hoje

A biblioteca está cheia de livros!

Ontem recebi um vídeo bastante interessante devido ao efeito de humor que ele produziu em mim, o que evidencia que transmitiu algo para além do que dizia. O vídeo consistia em um rabino ortodoxo ensinando como mergulhar a maçã no mel (tradição judaica do Ano Novo). O rabino pega um enorme pote de mel, tira do seu grande casaco preto um iPhone e um iPad e mergulha ambos no jarro de mel. Qual a mensagem que nesse chiste passou? Continuar lendo A biblioteca está cheia de livros!

Sobre maçãs, zumbis, superbactérias e a angústia. Com o que trabalha um psicanalista?

Ontem recebi um vídeo bastante interessante devido ao efeito de humor que ele produziu em mim, o que evidencia que transmitiu algo para além do que dizia. O vídeo consistia em um rabino ortodoxo ensinando como mergulhar a maçã no mel (tradição judaica do Ano Novo). O rabino pega um enorme pote de mel, tira do seu grande casaco preto um iPhone e um iPad e mergulha ambos no jarro de mel. Qual a mensagem que nesse chiste passou? Continuar lendo Sobre maçãs, zumbis, superbactérias e a angústia. Com o que trabalha um psicanalista?