Zoot Woman

Zoot Woman: entrevista

Quando lemos a biografia de algum artista em sites relacionados à música, é comum encontrarmos no canto da página uma coluna listando “artistas semelhantes”. No caso da banda inglesa Zoot Woman, vemos nomes a princípio discrepantes, que vão desde os eletrônicos Fischerspooner e The Presets, passando pelas bandas de rock Phoenix e She Wants Revenge até a cantora Roisin Murphy. Mas essa amplitude deixa de soar estranha no momento em que observamos a sólida carreira do Zoot Woman, que amadureceu ao longo de três discos (o quarto sai ainda este ano) e incorporou novas influências sem abandonar o que a banda tem de mais característico: a eletronia e as guitarras oitentistas.

Créditos: Divulgação (zootwoman.com)A banda foi formada em 1995 na cidade de Reading pela dupla Adam Blake e Stuart Price. Depois da gravação do primeiro ep com quatro faixas instrumentais e de um single dois anos depois, Johnny Blake, irmão de Adam, junta-se à banda para assumir os vocais. O primeiro disco, Living in a Magazine (2001), apresentou o estilo único da banda, o qual seria desenvolvido e remodelado nos discos posteriores. Trouxe uma cover do hit The Model, do Kraftwerk, e as faixas Living In A Magazine e It’s Automatic, que imediatamente apareceram, em versões remixadas, nos sets da DJ francesa Miss Kittin.

O segundo álbum, Zoot Woman (2003), abre com a faixa Grey Day, com uma linha de baixo bem marcada e guitarras em destaque. Taken It All, a segunda faixa, ganha videoclipe, e a banda cai nas graças da publicidade: Gem é usada em um comercial da Rimmel, com Kate Moss, e Calmer aparece na trilha sonora de CSI.

Stuart Price, que ao longo da carreira assumiu codinomes diversos (vide Jacques Lu Cont, Les Rythmes Digitales e Thin White Duke, para dizer o mínimo), obteve maior visibilidade ao dar início a uma parceria com Madonna, criando arranjos para as turnês da cantora e produzindo um de seus melhores trabalhos, Confessions On A Dancefloor. O trabalho com a cantora pop trouxe visibilidade e inúmeros convites de produção, o que levou Stuart a abandonar os shows ao vivo com o Zoot Woman para participar apenas da produção em estúdio. Especificamente para os shows, a banda convidou Beatrice Hatherley, que já trabalhou com Kylie Minogue e New Order.

Créditos: Divulgação (zootwoman.com)Nesse período, para consagrar o trabalho maduro da banda, surge o elogiado Things Are What They Used To Be. A essa altura, a banda já é famosa por seus shows ao vivo impecáveis. Lançou mais três videoclipes: Memory , More Than Ever e We Won’t Break. Esta última faixa ganhou um concurso de remix promovido pela internet, levando a banda a lançar dois singles com as melhores versões.

A banda está em estúdio há algum tempo preparando o quarto CD, que sai ainda em 2012. Conversamos essa semana com os irmãos Johnny e Adam Blake, que deixaram claro: os fãs cadastrados no site serão os primeiros a saber das novidades. confira a entrevista, que teve a colaboração de Marcela Gontijo (Twitter: @marcela_ng) e Rodrigo Albuquerque (Twitter: @rodsontherocks)

Vocês dois, Adam e Johnny, nasceram em Reading, na Inglaterra, e Stuart foi criado lá. Todo ano acontece na cidade um dos maiores festivais musicais do planeta. Que tipo de influência vocês tiveram da cidade, dos festivais de música e de outros artistas?

Johnny Blake: Sim, Reading foi o primeiro festival que assisti na vida. Eu tinha quinze anos na época e já era muito influenciado pelo poder da música ao vivo, e foi quando pensei que, um dia, eu também poderia fazer aquilo —o que acabou se tornando realidade poucos anos depois. No começo, o Zoot Woman “ao vivo” pareceu estranho porque estávamos acostumados a tocar só em estúdio, então tivemos de trabalhar muito para transformar aquilo em um show ao vivo.

O que passou na cabeça de vocês para chamar a banda de Zoot Woman? De onde vem o esse nome?

Adam Blake: Nós queríamos um nome com palavras que se destacassem na forma escrita. Zoot Woman era sugestivo e acabou pegando. As pessoas têm opiniões diferentes sobre o que é exatamente uma “Zoot Woman”…

Jasmin O’Meara só toca com vocês no palco ou ela também participa da composição e da produção das músicas? O novo disco está sendo gravado por vocês quatro?

 Johnny: Jasmin toca nos shows ao vivo. Eu, Adam e Stuart escrevemos e produzimos as músicas.

A banda já estava formada quando você, Johnny, entrou como vocalista. Foi um processo natural? Do que você se lembra dessa época?

Johnny: Eu fiquei muito lisonjeado, na verdade, porque antes de entrar para o Zoot Woman, eu só tinha experiência em bandas amadoras de escola, e eu sabia que Adam e Stuart já tinham desenvolvido coisas muito boas em termos musicais. Eu fiquei todo arrepiado quando me chamaram, e me lembro de ter pensado que se eu conseguisse “dar voz” à música deles, estaríamos criando algo muito especial.

Vocês têm muitos fãs no Brasil, mas não tínhamos nada de vocês lançado por aqui até pouquíssimo tempo, quando a iTunes Store começou a funcionar. Isso quer dizer que as pessoas ouviam a banda pela internet e downloads considerados ilegais. Como vocês lidam com a questão do compartilhamento de arquivos na internet?

Johnny: Então, já se foi a época em que saíamos de casa para comprar discos nas lojas, estamos num momento em que as pessoas vão escutar o que quiserem, ou não escutar se não quiserem. Pra mim, a cena, as canções e a música ainda estão por aí, a capacidade de promovê-las e divulgá-las continua aí, a única coisa que mudou foi a forma de se ouvir música.

Algumas resenhas do último disco de vocês, “Things Are What They Used To Be”, classificaram vocês como “precursores do electroclash” e “sobreviventes do electroclash”. Eu particularmente não gosto desse tipo de rótulo, então quero saber como é ser identificado com um movimento tão contraditório, e tantos anos depois de ele ter chegado ao auge.

Johnny: Acho que toda banda ou todo artista acaba sendo associado a um gênero, mas acho que as músicas em si têm uma relevância muito maior. Realmente não me importo com os rótulos que nos damos, desde que possamos continuar fazendo a música que queremos fazer e que ela continue se conectando com nossos fãs e com quem estiver interessado em conhecê-la.

“Hope In The Mirror” e “Grey Day” foram a trilha de filmes de snowboard e algumas pessoas chegaram a dizer que a banda está para a comunidade de snowboard da mesma maneira que o Jack Johnson está para a comunidade do surfe. Vocês têm algum tipo de ligação com o snowboarding?

Johnny: Ficamos surpresos e agradecidos quando isso aconteceu, geralmente nunca esperamos ter esse tipo de influência.

Adam: Jack Johnson e surfe. Isso me faz pensar nos Beach Boys… Eles dizem que só um dos integrantes sabia surfar.

Vocês estão sempre se aproximando do público: promoveram um concurso de remixes no lançamento do disco anterior e agora deram a oportunidade aos fãs de terem a própria voz em uma das faixas do novo disco. Como foi o retorno que tiveram nos dois casos? Vocês já escolheram as “vozes” que vão entrar no disco novo?

Johnny: Tivemos colaborações impressionantes, o que nos deixou muito estimulados pra gravar o disco. Mas ainda não posso falar muito sobre o assunto.

Vocês se preocupam em gravar músicas que possam ser reproduzidas com a maior fidelidade possível ao vivo ou acabam recriando os arranjos para os shows?

Johnny: Isso não é uma preocupação, na verdade. Acho que sempre há uma maneira de reproduzir as músicas nos shows, e às vezes o que tocamos ao vivo é melhor que a gravação. Na nossa banda, a versão de estúdio vem primeiro, daí depois pensamos sobre a melhor forma de tocá-la ao vivo.

Vocês concordam que a maioria das letras da banda trata de “relações humanas”?

Johnny: Com certeza. Tento escrever sobre experiências que tive e transformá-las em letra e música, sempre na esperança de que os ouvintes se identifiquem com elas. Quando não se identificam, temos um problema.

Percebemos que vocês estão preocupados em produzir videoclipes com uma estética muito bonita. Para vocês, o videoclipe é um complemento à linguagem das músicas ou apenas uma maneira de promover a imagem da banda? E por que não aparecem nos vídeos do último disco, “Things Are What They Used To Be”?    

Johnny: Sim, os vídeos são um complemento à linguagem das músicas, da melhor maneira possível. Acho que todos somos fãs de vídeos com uma estética bacana e quisemos fazer o mesmo com os nossos. Os vídeos do último disco são animações que contam histórias com personagens próprios, por isso não quisemos aparecer.

Por acaso estão planejando uma turnê pela América do Sul? Podemos espear um show de vocês no Brasil?

Johnny: Nós adoraríamos, e esperamos que aconteça o quanto antes!

E o disco novo, está pronto?

Adam: Quem estiver cadastrado no zootwoman.com será o primeiro a saber!

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Zoot Woman:
Johnny Blake (vocais, guitarras), Adam Blake (bateria), Stuart Price (baixo, teclados), Jasmine O’Meara (baixo, teclados).

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