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The New Division, a revelação de 2011

Prepare os ouvidos para o passado e o futuro caso ainda não conheça a banda The New Division. Formada numa universidade da Califórnia em 2007 e liderada pelo vocalista John Kunkel, a banda lançou o primeiro EP, The Rookie, no início do ano, chamando a atenção do público e da imprensa. O retorno imediato dos fãs levou a banda a produzir rapidamente o primeiro álbum, Shadows, com 14 faixas inéditas. Não dá pra definir o som da banda com um único termo, embora tenham um estilo só deles. Joy Division e New Order são influências imediatas, e o nome funciona quase como homenagem às duas. Pense numa união bem estruturada de synthpop, eletro, rock e dance music, pra dizer o mínimo. Isto é o New Division.

Conversei com John essa semana pelo Skype durante quase uma hora. Entre outras coisas, John contou um pouco da sua história, falou da relação que mantém com o Brasil e do que anda lendo por aí: “Gosto muito de Hegel”.

 

Você foi criado no Uruguai, depois se mudou para a Califórnia e a banda foi formada na faculdade. O que vocês estudavam na época, e como começaram a fazer música?

Minha base foi em Ciências Políticas e Filosofia, depois fiz Mestrado em Administração Pública. Os outros caras da banda, um estudava teoria e composição musical, outro estudava Administração Sanitária, e o outro fazia Cinema. Comecei a me envolver com a música quando ainda estava no Uruguai, costumava ouvir muito brit pop e acabei tentando compor músicas como fazia o Oasis, Blur, Radiohead, as bandas que eu gostava na época. Acho que escrevi a primeira música quando eu tinha treze anos, e na verdade foi quando descobri que podia mesmo fazer música, o que acabou se tornando uma obsessão.

Você já disse que tem mais de trezentas músicas demo, é verdade?

Sim, eu disse isso há mais ou menos um ano, e hoje já deve haver muito mais; estão todas lá, só não foram lançadas ainda.

Vocês lançaram recentemente o primeiro álbum, Shadows, com faixas que vão do downtempo até outras prontas pra pista de dança, mas todas têm um elemento dark de certa forma. No meio de tantas músicas, como elas foram escolhidas?

Para esse álbum nós tínhamos um leque de muitas canções. A gente não se reuniu e disse “queremos fazer um álbum desse jeito”, não pensamos muito no processo. Fomos escolhendo as músicas que ficavam melhor juntas e as que mais gostávamos.

Então foi algo mais intuitivo?

Sim, queríamos que o disco parecesse apropriado para o urbano, alguma coisa assim. Acho que nosso EP, The Rookie, tinha um clima mais apropriado para se ouvir no meio da natureza, e a gente queria que o álbum tivesse uma atmosfera mais da cidade, como se estivéssemos em Tóquio, por exemplo.

Há um vídeo de apresentação do álbum onde o pessoal da banda diz que a faixa predileta deles é “Memento”. A forma como a música se desenvolve gradualmente me lembra “Sea within a sea”, dos ingleses The Horrors. Conhece eles?

Não, não conheço, preciso ver quem são!

E qual a sua faixa predileta do disco?

Acho que a quinta faixa, “Violent”.

 

A banda nasceu na era do .mp3. O que isso representa pra você? Quer dizer, quando eu era adolescente, por exemplo, o único jeito de conhecer bandas novas era vendo MTV, ouvindo rádio ou conversando com os amigos. A internet e o .mp3 trouxe uma variedade imensa de possibilidades, que vem junto de uma produção mais acessível. O que é preciso fazer além de um bom trabalho para ser notado no meio de tanta informação?

Acho que o principal disso tudo é conversar com as pessoas, sabe? Grande parte do nosso sucesso hoje vem disso, de falarmos com as pessoas sobre a nossa música, de nos conectarmos com os fãs… a gente vive numa era digital, e é assim que as pessoas conhecem as coisas hoje, não é como antigamente quando você entrava numa loja de discos e descobria coisas novas, hoje escutamos as coisas online, conhecemos novas produções porque um amigo indicou. Eu acho isso muito bom, e o nosso reconhecimento vem disso também, de um momento em que não precisamos mais de um intermediário que nos promova. Você pode fazer o que quiser se tiver as pessoas certas ao redor, ajudando com os vídeos, com a identidade visual, e falando com as pessoas seja no Twitter, no Facebook…

Essa era uma pergunta, na verdade. Eu sempre vejo você conversando nas redes sociais, é algo importante pra você.

Eu adoro fazer isso, é muito divertido ver as pessoas, ver o rosto delas, são todas ouvintes… quer dizer, não são como uma ideia distante e abstrata, elas são reais, e é ótimo poder ter essa relação direta com elas, saber quem ouve sua música e tal. Adoro fazer isso.

Você gosta de remixes e de remixar, acho inclusive que os seus são os melhores da banda. Além de você, quem costuma remixar as músicas e qual a importância dos remixes pra você?

A própria banda tem remixado as músicas, cada um faz seu próprio remix. Na verdade temos só duas músicas remixadas pela banda toda, é muito trabalhoso juntar os quatro pra trabalhar num remix só, porque cada um tem uma ideia diferente e isso leva muito tempo, embora o resultado às vezes possa ser melhor. Mas agora eu estou fazendo um remix para o Small Black, o trabalho deles é ótimo, e recentemente fiz um para o Keep Shelly in Athens. Quando remixo eu costumo tocar todos os instrumentos, tiro tudo da música e mantenho só os vocais. Eu gosto de recriar a música mesmo.

Suas influências mais óbvias são o Joy Division e o New Order, e eu sempre vejo vocês citando também o Depeche Mode. Fale um pouco mais sobre outras influências que não essas.

A maior influência, na verdade, vem da dance music. Atualmente, acho que eu diria Above & Beyond, muita coisa de trance e progressive house. Por outro lado, tenho ouvido muito Royksöpp, Air… nosso som não se parece com o deles, mas gosto muito do clima. Jesus & Mary Chain também é uma grande influência, principalmente quando começamos. Os anos 1980 também são importantes, gosto muito da italo disco, é divertido. Acho que é uma gama muito grande e difícil de apontar.

E o que você está escutando agora?

O novo álbum do M83, a última mixtape do Small Black, o EP do Keep Shelly in Athens… tem uma banda nova que eu gosto muito chamada The War on Drugs, parece um pouco com Kurt Vile, mas é bem melhor.

E sobre os videoclipes? Eles são um complemento visual para o que vocês expressam musicalmente, uma estratégia pra promover a banda, ou as duas coisas?

Acho que um pouco dos dois, na verdade nossos vídeos não refletem exatamente o que as letras querem dizer. A música “True lies”, por exemplo, fala de uma relação que deu errado, mas o vídeo seguiu por uma direção totalmente diferente. No sentido de promoção da banda foi meio maluquice, mas não artisticamente… quer dizer, a letra pode significar algo diferente se tivermos uma história diferente ligada ao visual, e é isso que tentamos fazer. Não posso tomar os créditos por ele, porque foi o nosso diretor que apareceu com a ideia desse vídeo. Acho que jamais pensaríamos em fazer um vídeo assim, e é muito interessante ver que alguém consegue usar sua arte e criatividade para transformar a nossa música em uma forma de arte totalmente nova.

 

Encontrei um blog seu antigo, a última postagem é de agosto de 2006. Você diz que estava no Brasil no dia, indo para uma festa ou algo do tipo.

Sim, não me lembro em qual cidade eu estava, mas eu já fui ao Brasil muitas vezes. Como minha mãe é daí, eu tenho família no Rio de Janeiro, em Belém do Pará, chego a visitá-los uma vez a cada dois anos.

No perfil você também diz que queria fazer uma formação religiosa. Ainda é um cara religioso?

Sim, com certeza. Na verdade, fui criado na América do Sul porque meus pais são missionários da Igreja Batista, então cresci nesse meio, é algo que trago comigo… vou à igreja todo domingo.

O que você gosta de ler, o que está lendo agora?

Eu tenho lido bastante filosofia, gosto muito de Hegel e dos pós-modernistas. Gosto muito de Hegel. Ah, estou lendo um livro sobre mixagem e masterização sonora (risos).

Não poderia deixar de te fazer uma pergunta que fazemos pra todos, por mera curiosidade: já fez análise?

Não, nunca! Não conheço a teoria, só o que já vi em alguns documentários, e nem foi tanto assim.

Tem coisa nova vindo por aí?

Um novo EP. Não começamos a escrever ainda, mas já temos algumas ideias do que queremos… deve ser um EP de seis músicas, e teremos mais guitarras.

 

The New Division é: John Kunkel (vocais), Brock Woolsey (guitarras),  Janzie (sequenciadores) e Mark Michalski (sintetizadores).
Fotografia: Colson Knight
Site oficial: http://www.thenewdivision.net
Bandcamp: http://thenewdivision.bandcamp.com
Soundcloud: http://soundcloud.com/thenewdivision

 

 

5 comentários sobre “The New Division, a revelação de 2011

  1. Ouvindo Gemini (2015) , o baixo copiando o teclado e o som do mesmo revelam influência dom Zeta Bossio do Soda Stereo.O seu tempo no Uruguai deixou marcas.

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